{"id":88,"date":"2020-11-18T21:44:39","date_gmt":"2020-11-18T21:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/riterm.org\/index\/?page_id=88"},"modified":"2024-06-19T08:46:22","modified_gmt":"2024-06-19T13:46:22","slug":"historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/historia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover is-light\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1703\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-259\" src=\"https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug.jpg 2560w, https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug-300x200.jpg 300w, https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug-768x511.jpg 768w, https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/riterm.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/portug-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:50px\">Hist\u00f3ria<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p id=\"h.p_LcfgtrghI51C\"><strong>O papel da RITerm na terminologia ibero-americana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_vk9m6NvFI630\">Maria Teresa Cabr\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_MiNbwIE-I632\">Instituto Universit\u00e1rio de Lingu\u00edstica Aplicada<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_7zC0FTf8I636\">Universidade Pompeu Fabra (Barcelona)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" id=\"h.p_mnhpPxPLI63-\">Confer\u00eancia apresentada em Lisboa, em 17 de novembro de 2000<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" id=\"h.p__9TFg8vGI64A\">VII Simp\u00f3sio Ibero-americano de Terminologia<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_G2GbKqhJI64C\"><strong>A modo de introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_XXfuE_-tI64E\">Desejaria agradecer em primeiro lugar \u00e0 comiss\u00e3o organizadora do VII Simp\u00f3sio Ibero-americano de Terminologia o convite para proferir a confer\u00eancia de encerramento do Simp\u00f3sio. Esta ocasi\u00e3o muito me apraz por motivos diferentes, individuais e coletivos, acad\u00eamicos e pessoais, cient\u00edficos e afetivos. Mas acima de tudo pela possibilidade que me \u00e9 oferecida de refletir em p\u00fablico sobre o que a RITerm tem representado para o panorama geral da terminologia e mais concretamente que papel desenvolveu em nosso \u00e2mbito ibero-americano. Desde a cria\u00e7\u00e3o da RITerm em 1988, na Universidade Sim\u00f3n Bol\u00edvar de Caracas, estive presente em todos os seus simp\u00f3sios, salvo no II de Bras\u00edlia por impedimento profissional. Assisti com interesse \u00e0s sess\u00f5es de apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos e comunica\u00e7\u00f5es e em todas elas apresentei algum trabalho. Creio que esta continuidade na RITerm, que compartilho naturalmente com outras pessoas queridas como Amelia de Irazaz\u00e1bal, Berta Nelly Cardona ou Ileana Cabrera (e s\u00f3 menciono estes tr\u00eas nomes como exemplo e sem a inten\u00e7\u00e3o de excluir ningu\u00e9m) pode justificar o fato de que hoje me proponha a analisar de fora, mas ao mesmo tempo do interior, o papel de nossa rede no desenvolvimento da terminologia ibero-americana e a sua significa\u00e7\u00e3o no panorama internacional. Tentarei analisar nesta confer\u00eancia a evolu\u00e7\u00e3o de RITerm desde 1988 at\u00e9 hoje. Porque a RITerm evoluiu enormemente: em quantidade e em qualidade. A RITerm cresceu quantitativamente e qualitativamente. Aumentou o n\u00famero de seus membros, o n\u00famero de assistentes aos Simp\u00f3sios, o n\u00famero de proposi\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es de terminologia e o n\u00famero de projetos terminogr\u00e1ficos, para citar s\u00f3 alguns itens. Mas ao meu modo de ver, o grande crescimento da RITerm \u00e9 de car\u00e1ter qualitativo. A RITerm \u00e9 hoje um espa\u00e7o consolidado de interc\u00e2mbio e um motor de inova\u00e7\u00e3o em terminologia. E tentarei mostrar com dados reais estas afirma\u00e7\u00f5es. Na minha opini\u00e3o a RITerm cresceu com os anos e fez crescer a terminologia no espa\u00e7o ibero-americano, espa\u00e7o no qual teve um papel chave e deve seguir tendo. Criou pensamento e conhecimento, como pode observar-se atrav\u00e9s da an\u00e1lise dos textos dos Simp\u00f3sios, e se multiplicou gra\u00e7as \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o da terminologia e das atividades de forma\u00e7\u00e3o \u00e0s que todos n\u00f3s contribu\u00edmos. E este panorama \u2014se \u00e9 real e n\u00e3o pura imagina\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 falando\u2014 pode e deve nos encher de satisfa\u00e7\u00e3o e aumentar a auto-estima cient\u00edfica e profissional de nosso espa\u00e7o no seu conjunto. A RITerm <em>\u00e9<\/em> j\u00e1 na terminologia e <em>seguir\u00e1 sendo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_7ZpyQC4zI64I\">A evolu\u00e7\u00e3o da RITerm<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_jrWeflWcI64K\">Os organismos, como as l\u00ednguas e os seres vivos, t\u00eam uma hist\u00f3ria natural que segue um ciclo vital. E se me permitem seguir com esta met\u00e1fora, RITerm como organismo vivo n\u00e3o tem nada de especial. Desde o seu nascimento at\u00e9 o dia de hoje passou por todas as etapas e cumpriu todos os requisitos pr\u00f3prios de sua condi\u00e7\u00e3o de organismo. Nasceu no ano de 1988, fruto da vontade \u2014e n\u00e3o da casualidade. Passou uma etapa natural de titubeio (n\u00e3o isenta de ilus\u00e3o e esperan\u00e7a) at\u00e9 que come\u00e7ou a andar e com isso aumentaram as suas expectativas de vida. Come\u00e7ou a desenvolver-se em uma puberdade que romperia, como todo adolescente, os moldes estabelecidos. E gra\u00e7as a esta for\u00e7a se converteu hoje em um organismo jovem, mas maduro, vitalmente potente, cheio de vida e com vontade de construir seu futuro participando em p\u00e9 de igualdade na sociedade terminol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_sUeA6iCtI64M\">a) Nascimento<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_UxeAwcmMI64O\">A RITerm nasceu em 1988, em Caracas. A ocasi\u00e3o promovida pelo Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o Terminol\u00f3gica do Departamento de Idiomas da Universidade Sim\u00f3n Bol\u00edvar permitiu que se encontrasse ali uma s\u00e9rie de pessoas simplesmente interessadas pela terminologia partindo de necessidades pr\u00e1ticas muito diversas. Aqueles que est\u00e1vamos ali reunidos trabalh\u00e1vamos em tradu\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o, planifica\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica ou reda\u00e7\u00e3o de normas t\u00e9cnicas e \u00e9ramos plenamente conscientes de que a terminologia era necess\u00e1ria para nossas profiss\u00f5es. Os gloss\u00e1rios e bancos que apresentamos no I Simp\u00f3sio tinham a finalidade de servir a necessidades pr\u00e1ticas de uma profiss\u00e3o ou a uma situa\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica. Por isso, as contribui\u00e7\u00f5es feitas ali tinham um car\u00e1ter eminentemente pr\u00e1tico: a constru\u00e7\u00e3o de bases de dados, a organiza\u00e7\u00e3o de programas de forma\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o de tesauros e a participa\u00e7\u00e3o na reda\u00e7\u00e3o de normas t\u00e9cnicas. N\u00e3o foi um parto dif\u00edcil. A Rede nasceu tranq\u00fcilamente, sem tens\u00f5es, ajudada por todos. Foi apadrinhada (de forma excelente) por organismos internacionais (Uni\u00e3o Latina, UNESCO e Infoterm) e nacionais (a Funda\u00e7\u00e3o do Bicenten\u00e1rio de Sim\u00f3n Bol\u00edvar de Caracas e a Comiss\u00e3o Nacional Quinto Centen\u00e1rio de Madri). O nascimento da RITerm n\u00e3o augurava mais que felicidade e uma vida burguesa tranq\u00fcilamente acomodada. Uma revis\u00e3o dos trabalhos publicados nas Atas deste I Simp\u00f3sio Latino-americano de Terminologia mostra que o que ali se fez foi intercambiar experi\u00eancias profissionais, apresentar projetos em curso (mais que projetos realizados, com alguma exce\u00e7\u00e3o como os do grupo do CINDOC) e os que \u00edamos realizar em um futuro. Pode-se constatar revisando as atas que semeamos j\u00e1 ali, a semente de uma diversidade saud\u00e1vel, mas de todas formas, diversidade. Proced\u00edamos de espa\u00e7os distintos e est\u00e1vamos condicionados por necessidades terminol\u00f3gicas distintas. E n\u00e3o s\u00f3 isso, t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es distintas e trabalh\u00e1vamos distintamente. Mas ainda n\u00e3o nos d\u00e1vamos conta de que esta diversidade seria uma das chaves de nossa consolida\u00e7\u00e3o e especificidade. \u00c9 curioso, por exemplo, que s\u00f3 atrav\u00e9s desta revis\u00e3o que hoje fa\u00e7o eu me dou conta de que j\u00e1 em Caracas foi apresentada uma comunica\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de terminologia nas l\u00ednguas ind\u00edgenas [<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23nb1&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNEqz9yX0h5hNOB7gVf1pozE1I8Jsw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1<\/a>]. Nos passou por alto, mas ali esteve. A professora Alicia Fedor fez a primeira proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma R<em>ede Latino-americana de Terminologia<\/em>, o que resultou no \u00faltimo dia do Simp\u00f3sio na Resolu\u00e7\u00e3o de Caracas e no documento de constitui\u00e7\u00e3o da <em>Rede Ibero-americana de Terminologia<\/em> (inicialmente representada pela sigla <em>RIT<\/em>). A publica\u00e7\u00e3o do op\u00fasculo sobre os dez anos de RITerm me permite passar por alto os dados mais precisos deste evento. A rede se organizou e administrou os dois primeiros anos desde Caracas, que foi a sede da primeira secretaria executiva.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_AiVXN7hcI64Q\">b) Inf\u00e2ncia e puberdade<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_CvcMwk8GI64Q\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para um organismo rec\u00e9m nascido ingressar no mundo dos vivos e nele fazer um lugar. Os primeiros anos de uma vida est\u00e3o cheios de vacila\u00e7\u00f5es e titubeios at\u00e9 que se consegue come\u00e7ar a andar, primeiro ajudado por outros, depois autonomamente. Este foi, na minha opini\u00e3o um per\u00edodo longo, o mais longo da hist\u00f3ria da RITerm. Para mim correspondeu desde 1988 at\u00e9 1996 e foi afirmando-se pouco a pouco atrav\u00e9s dos Simp\u00f3sios celebrados sistematicamente a cada dois anos. Creio que foi este contato bienal nunca transgredido, junto com a publica\u00e7\u00e3o das atas dos encontros, um dos principais fatores que tornou poss\u00edvel que hoje RITerm seja uma rede consolidada. Naturalmente n\u00e3o esque\u00e7o que RITerm n\u00e3o seria o que \u00e9 hoje sem o apoio decidido da Uni\u00e3o Latina, apoio infra-estrutural e material, mas sobretudo apoio moral. Foi crucial para RITerm a convic\u00e7\u00e3o profunda da Dire\u00e7\u00e3o Geral de Terminologia da Uni\u00e3o Latina, e mais especificamente de Daniel Prado e sua equipe, de que RITerm era algo importante e necess\u00e1rio para o pleno desenvolvimento das l\u00ednguas do \u00e2mbito ibero-americano, uma vis\u00e3o pol\u00edtica hoje plenamente compartilhada.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_tepJK5WCI64S\">Durante este per\u00edodo foram realizados tr\u00eas Simp\u00f3sios Ibero-americanos: o <em>II Simp\u00f3sio Latino-americano (sic) de Terminologia<\/em> se celebrou em 1990 em Bras\u00edlia organizado pelo Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia (IBICT), o <em>III Simp\u00f3sio Ibero-americano<\/em>, em 1992 em San Mill\u00e1n de la Cogolla, organizado pela Sociedade Espanhola do V Centen\u00e1rio e pelo CINDOC, que ocupava neste per\u00edodo a Secretaria da Rede na pessoa de Amelia de Irazaz\u00e1bal; e o <em>IV Simp\u00f3sio Ibero-americano<\/em>, em 1994 em Buenos Aires, organizado por um conjunto de organismos acad\u00eamicos, cient\u00edficos e administrativos de cuja coordena\u00e7\u00e3o se ocupou com uma vontade admir\u00e1vel Carolina Popp.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_ULi8M7ZjI64W\">Foram anos vacilantes, de busca de defini\u00e7\u00e3o, de aprendizagem, de inseguran\u00e7a, mas ao mesmo tempo de forma\u00e7\u00e3o, de amadurecimento de um pensamento, ao que s\u00f3 se chega quando um organismo aprendeu dos demais, manejou muitas propostas e finalmente tenha formado um crit\u00e9rio pr\u00f3prio, um crit\u00e9rio que lhe permite explicar, discriminar e escolher a partir de uma reflex\u00e3o aut\u00f4noma sobre as possibilidades existentes e as necessidades pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_nrjXahUbI64Y\">Cabe destacar neste titubeio a denomina\u00e7\u00e3o (imagino que totalmente inconsciente) do <em>II Simp\u00f3sio Latino-americano de Terminologia<\/em>, e n\u00e3o <em>II Simp\u00f3sio ibero-americano de Terminologia<\/em>, ou a dupla denomina\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio: <em>II Simp\u00f3sio Latino-americano de Terminologia<\/em> e <em>I Encontro Brasileiro de Terminologia T\u00e9cnico-Cient\u00edfica<\/em>, em uma busca de especificidade dentro dos encontros da RITerm. TTodas elas eram iniciativas leg\u00edtimas, conscientes ou inconscientes, que foram conformando o que hoje \u00e9 a RITerm: um espa\u00e7o pr\u00f3prio e plural no qual queremos respeitar as diferen\u00e7as entre l\u00ednguas e culturas e donde s\u00e3o elaboradas propostas para a terminologia centradas na an\u00e1lise das necessidades informativas e comunicativas reais. E estas atividades, presididas pelo reconhecimento de nossas especificidades e a vontade de caminhar em dire\u00e7\u00e3o a uma normaliza\u00e7\u00e3o plena de nossas l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_W-Lh8PQ3I64a\">O II Simp\u00f3sio mudou o panorama do primeiro se tomamos como ponto de refer\u00eancia os temas que ali foram tratados e a origem profissional ou acad\u00eamica de seus autores. No I Simp\u00f3sio de Caracas a maioria das comunica\u00e7\u00f5es apresentada, que foram 28 no total, versou sobre projetos em curso de elabora\u00e7\u00e3o (tesauros, vocabul\u00e1rios, programas de forma\u00e7\u00e3o, e bancos de dados terminol\u00f3gicos). A cria\u00e7\u00e3o de um banco de termos parecia ser ent\u00e3o a demonstra\u00e7\u00e3o mais importante do trabalho terminol\u00f3gico. Tamb\u00e9m foram apresentados no Simp\u00f3sio cinco panoramas da organiza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da terminologia em organismos e pa\u00edses (Infoterm, ONU e Espanha), e tr\u00eas propostas de poss\u00edvel organiza\u00e7\u00e3o da terminologia ibero-americana, duas das quais marcariam o nascimento da RITerm. Por outro lado s\u00f3 houve 5 comunica\u00e7\u00f5es de reflex\u00e3o sobre pontos mais te\u00f3ricos ou aplicados, como era l\u00f3gico pela fase que est\u00e1vamos iniciando: necessit\u00e1vamos nos conhecer, falar de nossas incipientes experi\u00eancias e aprender dos trabalhos dos demais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_NTF18aMXI64a\">Em Bras\u00edlia, ainda que continuou o interesse pela cria\u00e7\u00e3o de bancos de dados de terminologia e se enfatizou ainda mais a apresenta\u00e7\u00e3o das atividades de organismos existentes, foram iniciados temas novos que marcariam pouco a pouco a mudan\u00e7a na RITerm. Foram apresentados projetos terminol\u00f3gicos e documentais (desta vez muitos j\u00e1 elaborados) e se avaliou criticamente o seu processo. Come\u00e7ou-se timidamente a reflexionar sobre a especificidade da terminologia e seu car\u00e1ter de l\u00edngua natural, e tamb\u00e9m sobre o papel da terminologia na documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para usos industriais. Mas acima de tudo ressaltou-se a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o discriminada de profissionais, distintos por suas origens e fun\u00e7\u00f5es, e no estabelecimento de uma metodologia orientada a necessidades precisas. Faz-se necess\u00e1rio destacar neste ponto, a contribui\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica de Enilde Faulstich e as comunica\u00e7\u00f5es sobre a intersec\u00e7\u00e3o existente entre a terminologia e o l\u00e9xico das l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_qav4p9ScI64g\">Se o Simp\u00f3sio de Caracas havia permitido colocar em funcionamento um novo organismo com o prop\u00f3sito de intercambiar dados e experi\u00eancias, em Bras\u00edlia se p\u00f4s j\u00e1 de manifesto a grande diversidade existente tanto no que se refere a necessidades como a experi\u00eancias e profiss\u00f5es, sem que se perdesse o esp\u00edrito inicial de coopera\u00e7\u00e3o. A proposta de um projeto de cria\u00e7\u00e3o de uma rede de bases de dados \u00e9 uma mostra deste interesse. A reflex\u00e3o sobre as possibilidades da rede feita por Amelia de Irazaz\u00e1bal, \u00e9 outra mostra indubit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_YHF88m0eI64i\">O enfoque pr\u00e1tico foi ainda em Bras\u00edlia o ponto central do Simp\u00f3sio, cujo tema dominante foi a apresenta\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es destinadas a resolver necessidades de todo tipo: documentais, lexicogr\u00e1ficas, formativas, t\u00e9cnicas ou tradutol\u00f3gicas. A not\u00e1vel presen\u00e7a de documentalistas neste evento demonstrou que no Brasil esta profiss\u00e3o reconhecia perfeitamente a import\u00e2ncia dos t\u00e9rminos para o seu processo de classifica\u00e7\u00e3o e descri\u00e7\u00e3o do conte\u00fado documental.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_-Hh119miI64k\">A terminologia ibero-americana saiu do Simp\u00f3sio de Bras\u00edlia, no qual foram apresentadas 67 comunica\u00e7\u00f5es, muito fortalecida, uma vez que havia come\u00e7ado a integrar elementos da diversidade real. Come\u00e7ava a tornar-se mais complexa do que havia parecido ser em Caracas, mas ainda seguia na sua primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_IetVw7rYI64o\">E assim continuou no III Simp\u00f3sio de San Mill\u00e1n de la Cogolla, que foi na pr\u00e1tica menos brilhante do que o desejado, mas que sem d\u00favida aportou uma cepa nova reconhecida com os anos e da que nasceram frutos saborosos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_MgQOlRLmI64q\">Cuba e Argentina \u2014por exemplo\u2014 estiveram pela primeira vez presentes na RITerm. Antes de S. Mill\u00e1n a presen\u00e7a se havia limitado aos membros dos pa\u00edses fundadores (Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, Espanha e Venezuela \u2014com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas de organismos internacionais). De fato podemos dizer que as contribui\u00e7\u00f5es de Cuba, essencialmente de Rodolfo Alp\u00edzar, abriram amplamente a porta \u00e0 significa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da terminologia tanto para a identidade e desenvolvimento de uma l\u00edngua aparentemente consolidada \u2014como \u00e9 o caso da l\u00edngua castelhana ou espanhola como voc\u00eas queiram\u2014 como pela visibilidade de um novo pa\u00eds inerentemente distinto. At\u00e9 aquele momento, somente aqueles que proced\u00edamos de pa\u00edses ou comunidades com l\u00ednguas minorit\u00e1rias dentro do territ\u00f3rio do estado e em processo de normaliza\u00e7\u00e3o t\u00ednhamos assumido a import\u00e2ncia de dispor de uma terminologia pr\u00f3pria \u2014criada, adaptada ou formada\u2014 acima de considera\u00e7\u00f5es mais t\u00e9cnicas e can\u00f4nicas. Cuba \u00e9 na minha mem\u00f3ria o primeiro pa\u00eds que p\u00f4s uma \u00eanfase muito especial na dimens\u00e3o pol\u00edtica da terminologia nas grandes l\u00ednguas e em como atrav\u00e9s da terminologia se pode aumentar ou diminuir a desigualdade. A confer\u00eancia de encerramento que ali eu mesma pronunciei Sobre la diversidade y la terminolog\u00eda se situava j\u00e1 nesta mesma l\u00ednea. Come\u00e7\u00e1vamos a contrastar nosso pensamento com o que hav\u00edamos aprendido e observ\u00e1vamos que nem tudo encaixava no puzzle da terminologia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_vamJ4vxrI64q\">Do encontro de San Mill\u00e1n alguns sa\u00edram, ou melhor sa\u00edmos, internamente confusos, com esta confus\u00e3o da primeira adolesc\u00eancia que coloca em d\u00favida a veracidade indiscut\u00edvel do aprendido e se prop\u00f5e a avan\u00e7ar \u00e0s cegas sem estar muito segura de onde ir\u00e1 parar. Mas, de novo como na vida real, se tratava de um processo irrevers\u00edvel que, ainda que causasse mal-estar e inc\u00f4modos nos ajudaria a crescer e a encontrar nosso pr\u00f3prio caminho.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_N9jPqXQ1I64s\">O IV Simp\u00f3sio de Buenos Aires ainda forma parte da puberdade de RITerm, mas significou o princ\u00edpio do fim desta etapa de inseguran\u00e7as, confus\u00f5es e complexos. Por um lado congregou uma ampla e diversa participa\u00e7\u00e3o. Foram apresentadas 53 comunica\u00e7\u00f5es, em contraste com as 27 de San Mill\u00e1n, e participaram pela primeira vez representantes uruguaios e paraguaios (o Mercosul estava em vias de constitui\u00e7\u00e3o). Foi um acerto organizar tematicamente o Simp\u00f3sio em torno de um s\u00f3 p\u00f3lo: a rela\u00e7\u00e3o entre terminologia e desenvolvimento. Esta unifica\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica permitiu sistematizar muito coerentemente as contribui\u00e7\u00f5es em seis grupos: a tecnologia, a forma\u00e7\u00e3o, a terminologia para a empresa, as pol\u00edticas ling\u00fc\u00edsticas e terminol\u00f3gicas e as necessidades terminol\u00f3gicas do Mercosul [<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23nb2&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNFJp109BMijh41tJEM4wOgKcXwm8w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2<\/a>].<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_hH7ZJWzsI64u\">Podemos observar nos textos das contribui\u00e7\u00f5es como a semente plantada nos anteriores Simp\u00f3sios fazia florescer timidamente uma concep\u00e7\u00e3o multidimensional e multifuncional da terminologia, necess\u00e1ria para a sobreviv\u00eancia e o desenvolvimento das sociedades complexas e inserida em uma comunidade que possui um sistema cultural mais o menos diversificado, uma ou v\u00e1rias l\u00ednguas em situa\u00e7\u00f5es diversas e uma realidade econ\u00f4mica e pol\u00edtica que determina o seu papel no conjunto internacional. A complexidade deste pensamento \u00e9 o ponto de inflex\u00e3o na maturidade da RITerm. Nele terminou a sua adolesc\u00eancia e entrou de cheio na sua juventude.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_xBRyyXuOI64y\">c) Juventude<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_YjXnEDC3I640\">Desde 1994 a RITerm come\u00e7ou a assegurar seu futuro, com ilus\u00e3o e vigor. Primeiro definiu sua situa\u00e7\u00e3o administrativa e organizativa. Foi necess\u00e1rio voltar a fundar a administra\u00e7\u00e3o da RITerm, reinscrever os seus membros, descrever os tipos de participa\u00e7\u00e3o, regular as cotas, e organizar a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi um trabalho f\u00e1cil, mas hoje estamos orgulhosos de que este esfor\u00e7o de dois anos realizado em Barcelona tenha levado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o atual, j\u00e1 muito mais sistem\u00e1tica e permanentemente atendida pela Secretaria da Uni\u00e3o Latina em 1996. Depois de haver organizado o funcionamento da Rede iniciamos a reforma dos estatutos e a elei\u00e7\u00e3o de seus representantes ao Comit\u00ea Executivo da RITerm, formado por quatro membros mais um representante da Secretaria.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_Mcy75sJOI644\">O M\u00e9xico, foi de meu ponto de vista, a primeira mostra da entrada na maturidade cient\u00edfica da RITerm. Longe ficaram, ou pelo menos reduzidas ao m\u00ednimo, as simples exposi\u00e7\u00f5es de experi\u00eancias, a descri\u00e7\u00e3o de projetos s\u00f3 reais na mente ou no desenho, ou as comunica\u00e7\u00f5es banais sobre quest\u00f5es repetidas, sem contribui\u00e7\u00e3o, nem inova\u00e7\u00e3o alguma. A qualidade das contribui\u00e7\u00f5es colocou o Simp\u00f3sio do M\u00e9xico no n\u00edvel m\u00e9dio dos simp\u00f3sios cient\u00edficos internacionais. Foi um passo decisivo para a considera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da terminologia al\u00e9m da sua pr\u00e1tica. A terminologia se mostrou ali como uma disciplina te\u00f3rica e aplicada que gera aplica\u00e7\u00f5es coerentes com uns supostos de base; e descartou de nossa concep\u00e7\u00e3o como rede uma vis\u00e3o da terminologia como simples pr\u00e1tica necess\u00e1ria, ou de uma disciplina aplicada derivada de uns princ\u00edpios estabelecidos \u00e0 margem das necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_fefAP35OI64-\">A terminologia descritiva ibero-americana mostrou pela primeira vez o seu rosto no Simp\u00f3sio do M\u00e9xico. E isso sem afastar de seu espa\u00e7o uma aproxima\u00e7\u00e3o prescritiva reconhecida como necess\u00e1ria para determinadas situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o ou tem\u00e1ticas de alta precis\u00e3o. Nele precisamente se ap\u00f3ia a maturidade: em reconhecer que a ci\u00eancia n\u00e3o encontra verdades absolutas mas que se limita a fazer um modelo de uma realidade que para alguns existe independentemente da linguagem e para outros se constr\u00f3i atrav\u00e9s da atividade ling\u00fc\u00edstica. Uma disciplina madura produz um pensamento pr\u00f3prio e argumenta todas as suas afirma\u00e7\u00f5es, e al\u00e9m disso se fundamenta na observa\u00e7\u00e3o e na an\u00e1lise de dados. Dos dados retira conseq\u00fc\u00eancias, estabelece generaliza\u00e7\u00f5es e hipotetiza interpreta\u00e7\u00f5es ou explica\u00e7\u00f5es. Estas explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o constituem nunca a verdade, mas somente aproxima\u00e7\u00f5es dos dados. Por isto podem ser refutadas, e, se n\u00e3o o s\u00e3o, s\u00e3o abandonadas em favor de outras. E assim a ci\u00eancia progride com novas observa\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_IXUVfPWRI65M\">Em 1998 foi celebrado o VI Simp\u00f3sio de RITerm na cidade de Havana. Neste magno Simp\u00f3sio organizado pelo nosso inesquec\u00edvel amigo Manuel Barreiro foram lidas 94 comunica\u00e7\u00f5es e quatro confer\u00eancias. Uma das melhores contribui\u00e7\u00f5es do evento foi a enorme participa\u00e7\u00e3o e a qualidade de muitos dos trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_Un3sB_S2I65O\">Assim, pudemos constatar como estava majoritariamente assumido o car\u00e1ter ling\u00fc\u00edstico da terminologia, a sua concep\u00e7\u00e3o ligada \u00e0s l\u00ednguas naturais e a sua poliedricidade devido precisamente a esse fato. Em Cuba, a terminologia enfocada comunicativamente e variada internamente devido a diversidade das situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o especializada e das caracter\u00edsticas geo, tecno, crono e socioletais teve uma presen\u00e7a muito importante. Foi em Havana aonde as colegas argentinas fizeram uma contribui\u00e7\u00e3o chave na l\u00ednea do texto e do discurso.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_E3-I7fFFI65Q\">E de novo desejo frisar que este enfoque n\u00e3o exclui, mas que leva em conta, a necessidade de uma terminologia normalizada adequada para certos cen\u00e1rios e temas. Mas a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de adequa\u00e7\u00e3o do tipo de terminologia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o requer postular a varia\u00e7\u00e3o e a diversidade, porque para selecionar \u00e9 necess\u00e1rio dispor de alternativas. Com o Simp\u00f3sio de Cuba a terminologia ibero-americana ficou encantada pela sua evolu\u00e7\u00e3o, e com ela todos n\u00f3s. O entusiasmo de M. Barreiro e seus colaboradores, a persistente consci\u00eancia social da confer\u00eancia de Rodolfo Alp\u00edzar, e a capacidade, o trabalho e a disposi\u00e7\u00e3o dos colegas cubanos deram um impulso decisivo \u00e0 madura\u00e7\u00e3o de RITerm. Ali creio que come\u00e7ou a sua autonomia evidente. Antes de Cuba, s\u00f3 hav\u00edamos produzido chispas dispersas de pensamento pr\u00f3prio. Em Cuba \u2014e a an\u00e1lise dos textos que ali foram apresentados o justifica\u2014 se imaginou uma aproxima\u00e7\u00e3o que observa a terminologia no discurso e descreve as suas caracter\u00edsticas em funcionamento (o que alguns denominamos a terminologia in vivo), que reconhece a diversidade do discurso e a adapta\u00e7\u00e3o da terminologia a esta diversidade, que observa a dinamicidade das unidades especializadas, que analisa os movimentos conceituais e denominativos das chamadas unidades terminol\u00f3gicas nos textos, que constata as coincid\u00eancias entre a terminologia e o l\u00e9xico das l\u00ednguas sem por isso negar a sua especificidade sem\u00e2ntica e pragm\u00e1tica, e que se atreve a sustentar que na teoria n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio postular tipos de unidades distintas (termos e palavras) para explicar a diferen\u00e7a, mas que tamb\u00e9m pode ser feita a partir de uma proposta de usos e valores distintos de uma mesma unidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_0Bc29FNyI65U\">d) Plenitude<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_BEcWB4SVI65W\">E assim chegamos a este VII Simp\u00f3sio em Lisboa com o tema centrado na terminologia nas ind\u00fastrias das l\u00ednguas, tema que s\u00f3 porque evolu\u00edmos como coletivo podemos abordar. Em 1988 teria sido impens\u00e1vel reunir tantos participantes ao redor de um tema desta natureza. Isto significa que iniciamos a entrada na maturidade, como coletivo e rede.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_kE_j5HACI65Y\">A tem\u00e1tica das duas mesas redondas que foram organizadas trata dois dos pontos que presidiram nossas preocupa\u00e7\u00f5es ao longo dos anos e que definiram a nossa especificidade: a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o, tema sempre presente em maior ou menor grau nos Simp\u00f3sios da rede (mas nesta ocasi\u00e3o centrada na did\u00e1tica da terminologia), e a dimens\u00e3o pol\u00edtica da terminologia (isto \u00e9, a sua rela\u00e7\u00e3o com o status e o desenvolvimento das l\u00ednguas e as identidades).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_Ltufsg2FI65Y\">Os membros da RITerm crescemos juntos, ainda que cada um tenha evolu\u00eddo de maneira pr\u00f3pria. A RITerm nos facilitou este contato porque nunca deixou de convocar os seus Simp\u00f3sios bienais. E mais, ganhamos com o fortalecimento da rede em termos de organiza\u00e7\u00e3o e sistem\u00e1tica de atua\u00e7\u00e3o gra\u00e7as aos projetos coletivos em curso: o Projeto RITerm-FORMA\u00c7\u00c3O, o Projeto RITerm-BD, o SIIT virtual e o Projeto RITerm-JOVEM, que nesta primeira convocat\u00f3ria n\u00e3o teve uma recep\u00e7\u00e3o especialmente acolhedora. Mas tudo caminhar\u00e1. Os ciclos vitais se renovam permanentemente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_zNgSr6AjI65c\">Neste VII Simp\u00f3sio, para o qual foram programadas 80 interven\u00e7\u00f5es, duas confer\u00eancias e duas mesas redondas pudemos escutar comunica\u00e7\u00f5es sobre uma grande diversidade tem\u00e1tica, al\u00e9m das de car\u00e1ter tecnol\u00f3gico enquadradas na \u00e1rea das ind\u00fastrias das l\u00ednguas: numerosas comunica\u00e7\u00f5es sobre forma\u00e7\u00e3o, sobre gloss\u00e1rios e tesauros realizados ou em projeto, sobre an\u00e1lise de aspectos destes gloss\u00e1rios; e, afortunadamente ao meu ver, menos exposi\u00e7\u00f5es meramente descritivas de centros, organismos ou entidades. E ainda menos exposi\u00e7\u00f5es de temas de car\u00e1ter geral sem um componente de pesquisa emp\u00edrica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_exBBX6PyI65e\">Foi destac\u00e1vel que neste VII Simp\u00f3sio de RITerm a importante presen\u00e7a de comunica\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter cient\u00edfico sobre a terminologia e suas unidades, centradas na an\u00e1lise dos t\u00e9rminos tanto partindo do ponto de vista da forma, como do conte\u00fado que expressam, na sua presen\u00e7a e reapresenta\u00e7\u00e3o no discurso especializado e nos aspectos pragm\u00e1ticos de rela\u00e7\u00e3o com seus usu\u00e1rios e seus produtores, os especialistas. Estas contribui\u00e7\u00f5es refor\u00e7am o n\u00edvel dos Simp\u00f3sios e o valor acad\u00eamico e cient\u00edfico da terminologia, sem infravalorar por isso a sua condi\u00e7\u00e3o aplicada e a conex\u00e3o com necessidades e atividades profissionais. Mas precisamente por isso, RITerm ganhou em amplitude, porque j\u00e1 n\u00e3o interessa unicamente aos \u00abtermin\u00f3logos\u00bb mas a todos aqueles e aquelas que em sua pesquisa ou em sua pr\u00e1tica se envolvem na terminologia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_1mCINmAtI65e\">Ser capazes de conjugar em um mesmo espa\u00e7o teoria e pr\u00e1tica com a convic\u00e7\u00e3o de que um n\u00e3o pode existir sem a outra, se queremos que a terminologia tenha uma considera\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel, \u00e9 uma mostra a mais da maturidade de RITerm.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_9eSkVgHDI65g\">Compatibilizar os aspectos mais t\u00e9cnicos e as aplica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas com o reconhecimento da transcend\u00eancia social e pol\u00edtica da terminologia \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de responsabilidade que cada um de n\u00f3s temos por nossas respectivas l\u00ednguas e pa\u00edses, e ao mesmo tempo, uma amostra do rigor da an\u00e1lise, de nossa fundamenta\u00e7\u00e3o nos dados reais e de nossa discrimina\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es em busca da melhor op\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a adequa\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia. A maturidade permite reconhecer a complexidade e, ao mesmo tempo, buscar modelagens que a simplifiquem para poder descrev\u00ea-la e explic\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_1PXCQng-I65i\"><strong>As id\u00e9ias da RITerm<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_arWO-Ef1I65m\">N\u00e3o estou certa de poder resumir em poucas palavras as id\u00e9ias que prevalecem neste momento na RITerm. E desejaria sublinhar \u201cque prevalecem\u201d, n\u00e3o que sejam \u00fanicas. Mas creio que foi gra\u00e7as a estas id\u00e9ias que a RITerm tem um pensamento pr\u00f3prio, e come\u00e7a a merecer aten\u00e7\u00e3o por parte de foros historicamente consolidados que haviam marcado at\u00e9 h\u00e1 pouco um \u00fanico caminho a seguir na terminologia, tanto nos seus princ\u00edpios, como na metodologia de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_XfoaNepTI65o\">A discuss\u00e3o no seio do Comit\u00ea T\u00e9cnico 37 da Norma ISO 704, que nos falou Mar\u00eda Pozzi, mostra que a concep\u00e7\u00e3o da terminologia n\u00e3o \u00e9 uniforme. Na minha opini\u00e3o, os argumentos defendidos pelo M\u00e9xico para votar negativamente \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da norma 704 s\u00e3o um resumo da idiossincrasia de RITerm, de sua vis\u00e3o e reapresenta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a terminologia e de como deve ser resolvida:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_bNtE6iKaI65q\"><em>Do que \u00e9<\/em>, defendendo a sua condi\u00e7\u00e3o de linguagem natural, a sua integra\u00e7\u00e3o nas l\u00ednguas precisas que se encontram em situa\u00e7\u00f5es s\u00f3ciopol\u00edticas determinadas, e ainda assim com a sua especificidade sem\u00e2ntica e pragm\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_JahmFGByI65u\"><em>De como deve ser resolvida<\/em>, discriminando situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o e especificidades tem\u00e1ticas. Nunca em abstrato e \u00e0 margem das situa\u00e7\u00f5es e do discurso gerado nelas. Nunca \u00e0 margem dos usu\u00e1rios a quem uma aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada. Nunca \u00e0 margem das finalidades que busca atingir uma aplica\u00e7\u00e3o e das necessidades precisas que se prop\u00f5e cobrir. E sempre a favor da plena normalidade das l\u00ednguas, da sua absoluta igualdade potencial.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_8VCnSWMgI65u\">De fato as id\u00e9ias da RITerm poderiam ser resumidas em quatro grupos de supostos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>supostos sobre as l\u00ednguas;<\/li>\n\n\n\n<li>supostos sobre a terminologia;<\/li>\n\n\n\n<li>supostos sobre as aplica\u00e7\u00f5es;<\/li>\n\n\n\n<li>supostos sobre os profissionais e o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p id=\"h.p_4279rrA9I650\">Diz Jespersen em sua obra de 1926 [<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23nb3&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNGIzHFVrpzZNFKXdbscSyRJXtYJxQ\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">3<\/a>] que todas as l\u00ednguas s\u00e3o aptas para expressar tudo, mas que todas n\u00e3o se encontram no mesmo patamar de desenvolvimento. E afirma tamb\u00e9m que as l\u00ednguas s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es humanas e que conserva-las e melhor\u00e1-las para as futuras gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um direito, como um dever que os seres humanos temos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_YdBrBrhrI650\">Estes dois pensamentos resumem nossa posi\u00e7\u00e3o de partida: ainda que as l\u00ednguas sejam por natureza iguais, est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o desigual por causas alheias aos seus sistemas. Por isso se queremos preserv\u00e1-las para o futuro devemos dot\u00e1-las de recursos para todos os usos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_uawGlCWOI652\">Todos compartilhamos a id\u00e9ia de que a terminologia \u00e9 um dos recursos imprescind\u00edveis para a reapresenta\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia do conhecimento especializado. Conseq\u00fcentemente, uma l\u00edngua consolidada deve possuir recursos terminol\u00f3gicos para todos os temas de comunica\u00e7\u00e3o. Mas as situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o exigem recursos adequados segundo a tem\u00e1tica, a sua abordagem e o seu n\u00edvel de especialidade; e em conseq\u00fc\u00eancia a terminologia dispon\u00edvel deve possuir recursos adequados \u00e0s especificidades de cada situa\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o especializada.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_FTc6zXmnI652\">Esta disponibilidade \u00e0s vezes se produz de maneira natural: os especialistas criam terminologia, mas em sociedades dependentes cient\u00edfica e tecnologicamente a terminologia deve ser adotada, adaptada, criada ou formada pela vontade de seus falantes. Sem essa vontade uma l\u00edngua vai perdendo espa\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o, acaba reduzida a usos n\u00e3o formais e, com o tempo, chega a desaparecer. Mas ainda assim, a atividade terminol\u00f3gica n\u00e3o pode ser realizada uniformemente em todos os pa\u00edses, \u00e9 necess\u00e1rio adapt\u00e1-la \u00e0 idiossincrasia de cada organiza\u00e7\u00e3o ou territ\u00f3rio e \u00e0 vontade de levar a cabo uma pol\u00edtica terminol\u00f3gica coerente com uma pol\u00edtica ling\u00fc\u00edstica mais ou menos expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_KmCWGxgfI654\">A terminologia \u00e9 uma necessidade para a comunica\u00e7\u00e3o profissional que gera aplica\u00e7\u00f5es e produtos. As aplica\u00e7\u00f5es est\u00e3o destinadas a cobrir necessidades informativas e comunicativas, que s\u00e3o diversas. E s\u00e3o estas necessidades que determinam o desenho de uma aplica\u00e7\u00e3o, o desenho no seu conjunto, e a sele\u00e7\u00e3o e reapresenta\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m. Uma aplica\u00e7\u00e3o terminol\u00f3gica ser\u00e1 mais ou menos adequada se foi concebida em fun\u00e7\u00e3o das necessidades a serem cobertas:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_tqPj2BCuI656\">Aplica\u00e7\u00f5es lexicogr\u00e1ficas, como vocabul\u00e1rios, dicion\u00e1rios, l\u00e9xicos, listas, normas de terminologia pr\u00e9vias a uma norma t\u00e9cnica, etc.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_LY3rC4auI658\">Aplica\u00e7\u00f5es documentais, como tesauros, classifica\u00e7\u00f5es, cabe\u00e7alho de assuntos, \u00edndices tem\u00e1ticos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_o-Sgo0oVI65-\">Aplica\u00e7\u00f5es inform\u00e1ticas, como programas de corre\u00e7\u00e3o de textos especializados, sistemas de ajuda \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de documentos t\u00e9cnicos, sistemas de tradu\u00e7\u00e3o assistida ou autom\u00e1tica, sistemas de recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, indicadores autom\u00e1ticos, sistemas de extra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o especializada, etc.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_e0GVkWfzI66A\">Aplica\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas, como s\u00e3o os programas de forma\u00e7\u00e3o em l\u00ednguas especializadas (l\u00edngua pr\u00f3pria ou l\u00ednguas estrangeiras para fins espec\u00edficos (LSP)), sistemas de ensino de vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico de um \u00e2mbito tem\u00e1tico, programas de aprendizagem de uma mat\u00e9ria com \u00eanfase na terminologia do setor como elemento de melhoria da compet\u00eancia cognitiva, sistema de aprendizagem a partir da constru\u00e7\u00e3o de estruturas cognitivas, etc.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_ZDHbSUtxI66C\">Aplica\u00e7\u00f5es discursivas como a reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, a ret\u00f3rica especializada, a tradu\u00e7\u00e3o especializada, a interpreta\u00e7\u00e3o, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o jornalismo especializado, etc.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_-vozfss8I66E\">\u00c9 indubit\u00e1vel que a terminologia, enquanto conjunto de termos, \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria em todas as atividades implicadas no conhecimento especializado, necess\u00e1ria para representar e comunicar as especialidades. \u00c9 indubit\u00e1vel tamb\u00e9m que toda pr\u00e1tica relacionada com a reapresenta\u00e7\u00e3o e\/o transfer\u00eancia do conhecimento especializado requer em maior ou menor propor\u00e7\u00e3o a terminologia. Mas a formula\u00e7\u00e3o un\u00e2nime desta necessidade n\u00e3o pressup\u00f5e que a terminologia necess\u00e1ria nas distintas aplica\u00e7\u00f5es seja a mesma na sua concep\u00e7\u00e3o, nem que os dados que interessam sobre os t\u00e9rminos coincidam, nem tampouco pressup\u00f5e que a comunica\u00e7\u00e3o especializada, sem deixar de ser especializada, deva ser homog\u00eanea.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_bFyrKkfuI66G\">As duas grandes fun\u00e7\u00f5es que a terminologia cobre em qualquer uso e situa\u00e7\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o de <em>reapresenta\u00e7\u00e3o<\/em> do conhecimento especializado, e a fun\u00e7\u00e3o de <em>transfer\u00eancia<\/em> deste conhecimento, n\u00e3o s\u00e3o uniformes em todas as situa\u00e7\u00f5es, mas se adequam \u00e0s caracter\u00edsticas de cada situa\u00e7\u00e3o de reapresenta\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_ZvMX5eayI66K\">S\u00e3o v\u00e1rias as profiss\u00f5es que requerem terminologia para o desempenho de suas atividades, como podemos deduzir das atividades aplicadas que acabamos de apresentar. Necessitam terminologia para o seu trabalho os documentalistas, os tradutores, os int\u00e9rpretes, os mediadores ling\u00fc\u00edsticos, os profissionais do jornalismo cient\u00edfico-t\u00e9cnico, os engenheiros ling\u00fc\u00edsticos, os redatores t\u00e9cnicos, os professores de mat\u00e9rias especializadas, os pesquisadores, os professores de linguagens especializadas ou de l\u00ednguas para prop\u00f3sitos espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_G-QSW-vMI66K\">Isto entretanto n\u00e3o pressup\u00f5e necessariamente que sejam estes mesmos coletivos profissionais que elaborem as aplica\u00e7\u00f5es terminol\u00f3gicas protot\u00edpicas, quer dizer, as que s\u00e3o fruto da recopila\u00e7\u00e3o, descri\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o (e eventualmente normaliza\u00e7\u00e3o) das unidades lexicalizadas usadas nos \u00e2mbitos especializados para denominar cada um dos n\u00f3dulos de conhecimento espec\u00edfico (ou conceitos) de uma mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_PUhnG47II66M\">Normalmente se diz que esta tarefa corresponde aos termin\u00f3logos. No \u00e2mbito da RITerm consideramos termin\u00f3logo a pessoa que se formou em terminologia e terminograf\u00eda e \u00e9 capaz de levar a cabo ou gerir um projeto terminogr\u00e1fico. Fazer terminologia sup\u00f5e reunir tr\u00eas compet\u00eancias pr\u00e9vias (sobre a mat\u00e9ria de trabalho, sobre as l\u00ednguas a tratar e sobre o processo de trabalho). Estas compet\u00eancias podem estar ou n\u00e3o reunidas em uma s\u00f3 pessoa. Normalmente se re\u00fanem em uma equipe. Mas em todo caso \u00e9 necess\u00e1rio adquiri-las em contexto de aprendizagem e para isso \u00e9 necess\u00e1ria uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, como assim assumimos ao colocar em pr\u00e1tica um amplo plano de forma\u00e7\u00e3o no marco de RITerm que re\u00fana especialistas de distintas origens acad\u00eamicas e profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_EzzO_wxzI66O\">Mas ainda mais, fazer um projeto terminol\u00f3gico ou ensinar a realiz\u00e1-lo nunca pode ser feito \u00e0 margem do contexto em que ser\u00e1 aplicado e dever\u00e1 demonstrar a sua adequa\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia. Por isso, todo programa de forma\u00e7\u00e3o de especialistas em terminologia (basicamente termin\u00f3grafos) deve explicitar as caracter\u00edsticas sociais e ling\u00fc\u00edsticas do espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o, as necessidades pr\u00e9vias de uma situa\u00e7\u00e3o a ser coberta e a vontade de seguir um processo ling\u00fc\u00edstico com um ou outro enfoque.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_cACl4SeFI66Y\">Record\u00e1vamos h\u00e1 um momento a afirma\u00e7\u00e3o de Jespersen sobre nossos direitos e deveres para com as l\u00ednguas que justifica a interven\u00e7\u00e3o no curso de evolu\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua. Esta interven\u00e7\u00e3o, entretanto, s\u00f3 se legitima si est\u00e1 baseada em um ato coletivo de consenso e segue a orienta\u00e7\u00e3o manifestada explicitamente pela vontade social.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_yjYptueCI66a\">O trabalho no campo da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o especializadas nas l\u00ednguas pr\u00f3prias representa uma das parcelas que toda sociedade deve cultivar se deseja que a sua l\u00edngua participe do desenvolvimento. A disponibilidade de recursos ling\u00fc\u00edsticos especializados (terminologia e fraseologia especializadas) requer uma intera\u00e7\u00e3o constante entre cientistas e t\u00e9cnicos, de uma parte, e ling\u00fcistas e termin\u00f3logos, de outra. Porque as linguagens de especialidade, e neles a terminologia, s\u00e3o um fator chave do desenvolvimento social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_z6HRgjKgI66c\">O futuro imediato da RITerm<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_d_YjyWnrI662\">No texto de apresenta\u00e7\u00e3o deste VII Simp\u00f3sio aparece um pensamento que compartilho plenamente. Diz-se que a terminologia \u00e9 hoje uma disciplina reconhecida e em franco desenvolvimento e que contribu\u00edram a forjar este reconhecimento tanto o interesse pela preserva\u00e7\u00e3o da cultura dos povos como o desejo de que as l\u00ednguas pr\u00f3prias adquiram o n\u00edvel ou status de l\u00ednguas internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_LxKK8h3XI666\">Em nossa opini\u00e3o a terminologia \u00e9 imprescind\u00edvel para dar resposta \u00e0s necessidades de uma sociedade como a atual, caracterizada pela difus\u00e3o do conhecimento especializado, o tratamento massivo dos dados, as novas tecnologias e a diversifica\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios e necessidades de reapresenta\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00e3o especializada. A terminologia \u00e9 um dos componentes das l\u00ednguas naturais, que compartilha com os recursos de sistemas artificiais a express\u00e3o do conhecimento especializado, mas como componente das l\u00ednguas participa de suas caracter\u00edsticas e forma parte de sua identidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_Yax2QOcSI666\">O interesse atual de numerosos pa\u00edses por usar suas l\u00ednguas pr\u00f3prias em todas as situa\u00e7\u00f5es sem por isso renunciar a um interc\u00e2mbio pluril\u00edng\u00fce nem a uma comunica\u00e7\u00e3o eficaz em determinados contextos, da \u00e0 terminologia um papel estrat\u00e9gico na reafirma\u00e7\u00e3o do pluriling\u00fcismo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_0yhqhuEWI67C\">Mas comunicar as especialidades nas l\u00ednguas pr\u00f3prias requer dispor de (e usar) uma terminologia pr\u00f3pria, sem recusar sistematicamente nem o empr\u00e9stimo nem a neologia. Alguns mant\u00eam que a necessidade de precis\u00e3o das especialidades se resolveria melhor usando uma \u00fanica l\u00edngua. Mas esta proposta conduziria com o passar do tempo ao monoling\u00fcismo funcional. E h\u00e1 um fato indiscut\u00edvel: possu\u00edmos distintas l\u00ednguas e queremos conserv\u00e1-las, e a comunica\u00e7\u00e3o especializada em contextos de pluriling\u00fcismo s\u00f3 pode ser realizada na medida em que as l\u00ednguas disponham de unidades terminol\u00f3gicas pr\u00f3prias bem estabelecidas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_4y02yOU1I67E\">O acordo de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica de distintos pa\u00edses ou regi\u00f5es que integram mercados comuns, como a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ou o Mercosul, requer que os pa\u00edses membro disponham de recursos terminol\u00f3gicos acordados para as suas comunica\u00e7\u00f5es formais, e que al\u00e9m disso estes recursos sejam harmonizados em refer\u00eancia \u00e0s l\u00ednguas concorrentes em cada cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_3f4z-XeiI67G\">A exist\u00eancia de redes como RITerm contribui \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de terminologia harmonizada, \u00e0 sua atualiza\u00e7\u00e3o permanente e ao crescimento progressivo do conjunto, sim que por isso tenha que renunciar a ter uma especificidade perante a for\u00e7a unificadora das pot\u00eancias econ\u00f4mica e culturalmente dominantes. Renunciar \u00e0s l\u00ednguas pr\u00f3prias e adotar uma l\u00edngua \u00fanica para a ci\u00eancia, a t\u00e9cnica e as atividades econ\u00f4micas implicaria em renunciar ao direito das comunidades de manter as suas l\u00ednguas plenamente atualizadas, e por tanto renunciar ao pluriling\u00fcismo generalizado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p__21-Ila-I67M\">As condi\u00e7\u00f5es de precis\u00e3o, concis\u00e3o e sistematicidade que a reapresenta\u00e7\u00e3o do conhecimento especializado e a sua transfer\u00eancia requerem obriga a centrar uma grande aten\u00e7\u00e3o no controle das denomina\u00e7\u00f5es segundo as caracter\u00edsticas dos cen\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o. Em cen\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o internacional ou em situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o monoling\u00fce que reclamam um alto grau de precis\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma terminologia normalizada para cada l\u00edngua e um controle estrito das equival\u00eancias entre as l\u00ednguas. Em cen\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o natural, as formas normalizadas s\u00e3o s\u00f3 uma das variedades da express\u00e3o especializada e, nesses casos, a no\u00e7\u00e3o de adequa\u00e7\u00e3o das formas denominativas passa a ter um papel mais central que a de corre\u00e7\u00e3o ou normaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_xtRHpLRiI67O\">Como conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_-sxDNxeWI67Q\">Iniciei esta confer\u00eancia de encerramento com a inten\u00e7\u00e3o de contar a hist\u00f3ria da RITerm dado que assisti ao seu nascimento e participei ativamente em quase todas as etapas de seu crescimento e desenvolvimento. Mas de fato devo confessar que contei a minha hist\u00f3ria e n\u00e3o a hist\u00f3ria da RITerm. Porque existem tantas hist\u00f3rias, ou melhor tantas leituras, como pessoas que participamos de suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_TAGORw-XI67S\">Desejava ter a oportunidade \u2014que t\u00e3o generosamente ofereceram os colegas portugueses que organizaram este Simp\u00f3sio\u2014 de revisar o processo da RITerm antes de fechar um dos ciclos da minha rela\u00e7\u00e3o pessoal com a rede, o ciclo onde primeiro me ocupei da secretaria e depois como participante do Comit\u00ea executivo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_v2tk8he5I67W\">Tentamos durante todos estes anos manter viva a rede e dar-lhe a for\u00e7a necess\u00e1ria para crescer e desenvolver-se. Para isso, nos propusemos quase inconscientemente a impulsionar a terminologia como mat\u00e9ria te\u00f3rica e aplicada e n\u00e3o s\u00f3 como pr\u00e1tica. Podemos dizer que esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje uma realidade amplamente compartilhada pelos membros de RITerm que nos sentimos j\u00e1 seguros de nossas atividades, movimentos e id\u00e9ias, e satisfeitos por dedicar nossos esfor\u00e7os \u00e0 terminologia. E ao mesmo tempo, convencidos de sua import\u00e2ncia e necessidade aplicadas \u00e0 especificidade de nossas profiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_ms1K7rbYI67Y\">Na Rede Ibero-americana couberam e cabem todos os coletivos profissionais e, com base no pressuposto de que cada coletivo concebe a terminologia diversamente porque diversas s\u00e3o as suas aplica\u00e7\u00f5es e necessidades, trabalhamos conjuntamente no desenvolvimento desta Rede j\u00e1 madura e a qual restam muitos anos de vida ativa, de trabalho cient\u00edfico e de criatividade eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_uubevSh7I67a\">Hoje se fecha para mim uma etapa de rela\u00e7\u00e3o pessoal com a rede da maneira mais natural, como corresponde aos ciclos vitais. E se produz uma substitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m natural, como j\u00e1 se vem produzindo nas interven\u00e7\u00f5es cada vez mais numerosas e ativas de membros de novas gera\u00e7\u00f5es. Deixar um cargo s\u00f3 significa participar de outra maneira e assim seguirei ocupando-me da forma\u00e7\u00e3o na qualidade de respons\u00e1vel deste grupo de trabalho desde 1992.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_2paCJEdcI67a\">E eu gostaria de terminar esta confer\u00eancia de encerramento com um bonito pensamento de um escritor catal\u00e3o, Pere Gimferrer, membro da Real Academia da L\u00edngua Espanhola. Gimferrer, em homenagem ao professor Mart\u00ed de Riquer \u2014de quem eu tamb\u00e9m fui disc\u00edpula na Universidade de Barcelona\u2014 romanista e um dos melhores especialistas em literatura proven\u00e7al e medieval espanhola e por ocasi\u00e3o do Pr\u00eamio Nacional de Humanidades que lhe foi concedido h\u00e1 uma semana, argumenta que a obra de Riquer \u00e9 importante porque tornou o passado vis\u00edvel para o presente e permitiu ancorar o presente na evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica natural, e tudo isso no espa\u00e7o intemporal da literatura.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_WwQddgqwI67c\">Eu desejo que a RITerm siga evoluindo no ritmo marcado dos tempos e das necessidades, mas que nunca perca a sua mem\u00f3ria hist\u00f3rica, que foi a base do seu compromisso com as l\u00ednguas e a garantia de seu respeito pela diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_Chk8jUcfI67c\">Muito obrigada.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_LY-Jj5jhI67e\"><a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23top&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNE4uLBA0vXaWDDnxBSXGau17bTD1A\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>^<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_xQU8XG6sI67e\">[<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23nh1&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHmM51EHqmYqTFF2Wl7wiYc2hNbxw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1<\/a>] H. Obreg\u00f3n; J. S\u00e1nchez Chapel\u00edn (1999) <em>Una proposici\u00f3n para la creaci\u00f3n de terminolog\u00edas cient\u00edficas y t\u00e9cnicas en las lenguas ind\u00edgenas<\/em>. Atas do Primeiro Simp\u00f3sio Latino-americano de Terminologia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_47KvWTluI67g\">[<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23nh2&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNEk9dr1Lnjl9wSPVYFcjzAZUWc8rQ\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2<\/a>] Casos aparte foram os Projetos de tema livre apresentados pelos membros da rede em oficinas e comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"h.p_6a1BhoXVI67g\">[<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fwww.ufrgs.br%2Friterm%2Fpor%2Ftxt_apresentacao_historia.html%23nh3&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNG_TWxw3K8RTwcHeTEWN-NRuqBtYg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">3<\/a>] O. JESPERSEN (1926) <em>La ll\u00edngua en la humanitat, la naci\u00f3 i l\u2019individu<\/em>. Barcelona, Ed. 62.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel da RITerm na terminologia ibero-americana Maria Teresa Cabr\u00e9 Instituto Universit\u00e1rio de Lingu\u00edstica Aplicada Universidade Pompeu Fabra (Barcelona) Confer\u00eancia apresentada em Lisboa, em 17 de novembro de 2000 VII Simp\u00f3sio Ibero-americano de Terminologia A modo de introdu\u00e7\u00e3o Desejaria agradecer em primeiro lugar \u00e0 comiss\u00e3o organizadora do VII Simp\u00f3sio Ibero-americano de Terminologia o convite para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-88","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/88","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/88\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1157,"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/88\/revisions\/1157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/riterm.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}